quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Belenzinho Love Affair
Ele quase mandou tudo às favas quando além de levar três horas para chegar em casa, voltando da dela, foi assaltado. Era um domingo à noite. Fosse um Sábado, provavelmente não teria pensado em desistir. Mas no Domingo, já estava com a energia baixa. Quem não está? Sobretudo depois que se ouve a musiquinha do fim do Fantástico. E ele ouvira, passando pela frente do bar do Buda Negrão. Negrão, porque crioulo. Buda, porque gordo.
Mas desistiu de desistir, pois o amor não é lógico. Lógica subvertida, foram lá os dois inventar moda. Falavam em dar uma casada. Ela, mais do que ele.
Lógico.
A mãe dele não se conformava. “Por que não com alguém daqui de perto?” Perguntava em fofoca com a Severina, a Odete e a Lourdes, quase todos os dias, no portão, quando as conversas sobre doença e morte se tornavam tediosas. Com o filho, usava de estratégia sistemática. Provar por “A” mais “B” que relacionamentos a tamanha distancia estavam fadados ao fracasso, tal qual a união da filha da tia Maricota, com aquele rapazinho do Embu. Afinal, eles foram morar perto da casa dos pais dela, no Mandaqui, e depois que a paixão começou a definhar e bateu a saudades dos amigos, o rapaz começou a se afastar. Primeiro, se enfurnava na casa da mãe nos fins de semana. Depois, inventou de passar uma semana lá, outra cá. Aí, a mãe da tia Maricota ainda me vem com minhocas para a cabeça da neta; que ele devia estar saindo com alguma sirigaita. Coitado... justo ele.Feio como um dia sem pão. Jamais achou que ia casar sequer, tendo se acostumado a ter o Coringão como o único amor possível da vida. Enfim, noves fora que, antes de acabarem de pagar a última parcela da Copa comprada na Marabraz, ela pediu o desquite. “Era pra ser o quanto foi. Fazer o quê?” Repete até hoje a sábia tia Maricota. Porém, o moleque neto dela, já de três anos, é mais esperto que a média.
Mas ele não arredava o pé. Dizia que era a mulher da vida dele. A mãe surtava. O pai, grunhia, e às vezes, participava das discusões, mas só durante o comercial.
A mãe, que sempre teve certo fascínio por alternativas alopradas, chegou a fazer despacho para ver se ele mudava de idéia. Ele brincava; mãe, pelo menos coloca um champagne bom junto com um peru decente na esquina da Oscar Freire com a Haddock Lobo e aí quem sabe o Diabo aparece? Cê acha que ele vai vir até aqui a esquina, nesse fim de mundo, pra comer frango com farofa? Vai sair de um inferno para ir pra outro?
Nessa hora entrou o comercial e o pai falou, antes de sair da sala sei lá pra onde: “Até o Pai Nêgo já disse que não tem jeito”.
“Preto Velho!” Corrigiu ela.
Talvez o Cão, o Tinhoso, o Coisa Ruim, pegue mesmo mal com Frango com farofa, pois não só se casaram como foi o único dia da semana que não choveu, afinal ela fez porque fez questão de casar em Março. O pai da noiva que resmungou “todo esse baita trabalhão à toa” se referindo à lona laranja sobre o quintal da sua casa, onde foi a festa.
O Pai Neg...er... Preto Velho foi no casório. Não era nem tão preto, nem tão velho, mas sábio, ah, isso era. No primeiro choramingo da mãe do noivo ouviu:
“Você acha que as pessoas decidem lá grandes coisa na vida? Ele por um acaso decidiu nascer em Itaquera? Acha que ela não preferia ter nascido nas Perdizes? Acha que eles decidiram se gostar? Num tem jeito não muié. A gente sem dúvida colhe o que planta, mas a história grande mesmo, se escreve sozinha.”
Pois é.
E agora ele passa mais tempo na casa da sogra do que na da mãe, que fica mais chata a cada dia. “Já faz três semanas que ele não dá as caras. O que eu fiz pra merecer? E você que não faz outra coisa senão assistir essa porcaria. Devia ter casado com o Messias mesmo”.
“Se tivesse casado com o Messias, não teria ficado tão chata que nem o marido, nem o filho agüentam”, diria o Pai Nêgo, se presente. Verdade, pois quis inventar moda e resolveu casar com quem casou, mesmo tendo mais motivos para se casar com o Messias. “Acontece que o Messias já era desquitado... o povo ia ficar comentando...” ela saca como desculpa sempre que necessário.
E agora cabe ao marido escutar as barbaridades... às vezes ele ameaça de ir embora. Mas só durante o comercial.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Despencou a bolsa do gato Felix, ou: do tempo das coisas
HAHAHA! Será que consigo tirar a solução para a queda das bolsas da minha bolsa? HAHAHAH.
Na fazenda, nasceu um pinto. Quando o fazendeiro vinha dar comida, era aquela festa. Cocoricó pra tudo que é lado. E o Alcides (que era o nome do fazendeiro, não do pinto) fazia um escarcéu dos diabos quando chegava, pois de galochas pesadas contra a madeira velha. Sem contar a bateção de portas.
O pinto, embora burro como qualquer galináceo, entendeu que o som de bateção de portas e galochas contra madeira significava comida, logo, saía de onde quer que estivesse para ser o primeiro na fila do repasto. E a vida seguia feliz.
Eis senão quando um dia, o pinto, que já era quase galo agora, ouviu as portas batendo, as galochas, e foi esperar a merenda. E o Alcides pegou-o e quebrou-lhe o pescoço. E agora o pinto quase galo descansa em paz numa bandeja de isopor lá no Compre Bem do Largo do Cambuci.
Existem duas “morais”. A primeira: viva cada dia da sua vida como se fosse o último, porque num dia desses, vai ser mesmo.
Mas essa não é a que interessa. A importante é a que segue: A nossa idéia de realidade nasce da freqüência. Se foi assim desde sempre, assim para sempre será. E aí baixamos a guarda. E aí tomamos um sopapo.
É incrível como demoramos a perceber que ciclos terminam. Sejam afetivos, políticos ou econômicos. Estamos tão acostumados com eles que nos é impossível decretar-lhes falência. A Marta Suplicy Provavelmente vai tomar um piau do Gilberto. Se soubesse ler as entrelinhas, já estaria aposentada morando em Paris, fazendo compras na Chanzelizê, pois já havia perdido uma reeleição, o que quer dizer tinha a exposição e a máquina a favor, ou seja, tudo para levar e não levou. Não entendeu que seu tempo acabara.
O Alckmin falou em voltar à medicina. Percebeu. Aleluia! Antes tarde do que mais tarde.
Agora, já o Maluf...
Estamos tão acostumados a viver nesse mundo de conto da fadas financeiro que nem nos demos conta que um dia o Alcides chegaria e nos degolaria. A diferença entre o pinto e nós é que o Alcides são os banqueiros, que conseguiram se apossar dos Estados e tomam tudo, de todos, para si.
O fim do mundo começou em 1913. Opinião do Senhor Wilson. Ele próprio se considera o responsável por ter colocado o trem do Armageddon
“Sou o maior dos infelizes. Sem me dar conta, eu arruinei o meu país. Uma grande nação industrial é controlada pelo seu sistema de crédito. Nosso sistema de crédito é (agora) concentrado. O crescimento da nação, logo, e todas nossas outras atividades estão nas mãos de poucos homens. Nos tornamos um dos mais vassalos, mais completamente vendidos governos do mundo civilizado. Tampouco um governo de livre opinião, tampouco um governo de convicção e voto da maioria, mas um governo sob o controle e ameaça de um pequeno grupo de homens com poder.”
Mas existe sempre um contrapeso no universo. Durante o governo do Senhor Wilson, além do FED, nasceu também o Gato Félix.
Félix foi o primeiro personagem de desenho animado capaz de formular a solução de um problema. Formulava tanto, que pontos de interrogação costumavam aparecer sobre sua cabeça. Ele pegava o ponto de interrogação e transformava em anzol, canudo para sopa ou o que fosse necessário. A galera ia ao delírio. Era 1920.
Intelectuais o exaltavam, músicos de Jazz queriam escrever músicas para o desenho e Félix virou um fenômeno internacional. Foi a primeira estrela do desenhos. E os que vieram logo depois, Oswald, de Walter Lantz e um tal de Mickey aí, tiveram suas formas fortemente influenciadas por Félix.
Quando veio o som, nem o verdadeiro criador de Felix, Otto Messmer, nem o cara de gravata que levou toda a fama, Pat Sulivan, conseguiram adequá-lo ao novo formato por acharem que o que tinham seria eterno. Não conseguiram andar para frente por não reconhecerem que o modelo ao qual estavam acostumados havia se tornado obsoleto. Por não reconhecerem que um ciclo se fechara. Felix perdeu a coroa para o Mickey.
Mas a ganância fez com que Felix tivesse várias encarnações depois disso. Apareceria em três desenhos para o cinema em 1936, produzidos pelo Van Bauren studios e depois, numa série do final dos anos 50, já para a televisão, onde era introduzida sua cabulosa bolsa cheia de truques. Foi essa série que ficou famosa por aqui. Aliás, fez um sucesso do cão nos EUA também. Mas não adianta. Félix que é Felix mesmo, não fala.
Bai!
Nota: Félix ainda teve uma encarnação nos anos 2000 numa série que foi ao ar na Cartoon Network.
E para quem quiser ver o Félix das antiga, seguem os links para os meus episódios favoritos:
Feline Follies 1919 – O primeirão. Meio zuado, mas vale. (aviso: contém suicídio)
Felix turns the tide 1922 – Félix vai à guerra. Como o seu criador, Otto Messmer, foi. E dá pra perceber que viu alguma ação por lá.
Felix trifles with time 1925 – Félix levanta um osso gigante que parece um pênis e “diz” “olha como sou forte”. Não sei... Sulivan foi condenado por estuprar uma menina de 14 anos. Mas a trilha Dixieland é deliciosa.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Popozudaz Opep ou: uma caipira na Casa Branca
Sarah: Jhon, me promete que se a gente ganhar, você não vai morrer?
Jhon: Prometo qualquer coisa, querida. É a minha especialidade.
Os judeus estão celebrando alguma coisa num colégio aqui
Enquanto escrevo esse escrito, olho pela janela e penso em pregar uma peça, amarrando uma toalha na cabeça e indo em direção à festa carregando uma caixa de caramurus, mas acho que eles não apreciariam a sutileza da piada.
E por falar em gente de toalha amarrada na cabeça, ouvi uma música pop nacional engraçada, original e bem produzida como há muuuuito não ouvia. E a banda é do Rio, o que torna a incidência ainda mais rara. Pediria para que os cariocas não me odeiem, mas eles já o fazem, então... senhoras e senhores com vocês: Popozudaz Opep, do Cordel Eletrônico.
O conheci na terceira C, enquanto éramos formatados juntos, pelos irmãos Maristas. Ficamos amigos quando ele soube que eu também tinha pêgo DP de massinha no pré. Reforçamos os laços quando nos demos conta que gostávamos de política. E mesmo ele sendo do tipo que jogava bolinha de gude no carpete e empinava pipa no ventilador, continuamos a amizade.
Ei Fred, como é bom podermos celebrar o nascimento de Jesus Cristo nosso salvador com 30 milhões de anos de antecedência, né?
O candidato dele, o Geraldo, vai tomar um chocolate. Ele se diz preocupado porque a Marta pode ganhar. Afinal, aparece em foto ao lado de presidente com aceitação de 80 por cento. Mas concluímos que São Paulo não é nem Maranhão, nem Tocantins e que nunca elegeu o Luís Ignácio, logo, não temos o que temer. Pena que dessa vez não pudemos apostar, pois os dois achamos que o Kassab vai levar. A administração administrativa vai bater a administração política. É o que vale.
Mudamos de país mantendo o assunto. Ele acredita no Obama. Eu acredito tal qual Gendalff acreditou no Frodo, em “O Senhor dos Anéis”. Estava tudo tão zuado que só alguém com uma dose cavalar de esperança e inocência poderia impedir o fim. É a esperança do desinformado (fool’s hope). É a minha esperança no Obama.
Ele me pergunta se há algum personagem de desenho animado Republicano. “Claro!” Eu respondo. “Então prove”. Eu lhe mando o link de “Ballot Box Bunny” (“Coelho da Urna de votação”, 1951, dirigido por Friz Freleng).
Yosemite Sam é o meu personagem favorito dos desenhos da Warner. Por aqui, ganhou o nome de Eufrazino Puxabriga. Às vezes, pirata. Às vezes, beduíno. Sempre explosivo. Foi criado por Friz Freleng, que achava Elmer Fudd (Hortelino Trocaletras) muito burro para ser rival de alguém tão malaco quanto o Pernalonga. Eu concordo com Friz.
Para mim, Friz era gênio. Além de dirigir os desenhos do Sam, dirigiu Frajola e Piu- Piu para a Warner por anos. Às tantas, saiu da Warner e fundou o De Patie-Freleng, junto com alguns veteranos. Criaram a Pantera Cor de Rosa, O Inspetor e uma penca de desenhos bacanas. E não sei vocês, mas acho a Pantera o personagem mais “cool” de todos os tempos.
Friz se inspirou num personagem criado por Tex Avery (tá bom, sem babação de ovo) num desenho de 1939 e, em 1945, desenvolveu Yosemite Sam como o típico americano falastrão disposto a resolver tudo na porrada. Alguém aí tem dúvidas sobre o partidarismo de Sam?
Que mané diplomacia o cacete.Vamos invadir.
Nos despedimos concordando que política é muito frustrante onde quer que se vá. As escolhas sempre parecem estar entre o ruim e o pior. Mas concordamos que nunca podemos nos esquecer de que o sistema em que vivemos, seja qual for, não está gravado
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
O que aconteceu com o meu rico dinheirinho? ou: Sub Pop 20 anos
olha, pessoal, sou neo liberal, viu... mas quando a coisa engrossa, eu grito SHAZAM e meio que dou uma transformada aí...
Se deixarem tudo ruir por terra, ninguém vai ficar paupérrimo. Bom, pelo menos não tão paupérrimos quanto os personagens do último filme do Walter Salles, linha de passe, onde todo mundo é pobre. Em filme nacional, 90 por cento das vezes, todo mundo é pobre. Talvez façam um cinema que queira retratar a realidade, mas quem quer realidade, que vá andar na rua.
Me dizem que esse é melhor, porque não tem nem discussão, nem vitimização. Mas ainda assim, minha religião continua não permitindo ir ver pobraiada no cinema.
Sei que parece insensível, mas boa história é boa história. Assim como bom personagem é bom personagem. Independente da classe social na qual a história se passa. E falar de filosofia fazendo filme com Robin Williams em colégio tradicional tipo inglês é fácil. Quero ver fazer um usando kung fu numa ficção científica interpretado pelo Keanu “porta” Reeves. Por isso que curto os Wachowsky. Por isso que curto Matrix.
O primeiro, claro. Os outros dois, não reconheço. Se bem que acho que os Wachowsky também não.
Enfim, quem quer ficar rico, que vá produzir. Nem que seja parafusos. Essa galera de Wall Street inventou o “ficar rico sem trabalhar”, movimentando dinheiro daqui pra lá. E isso lá gera dinheiro? No máximo, faz ele trocar de mãos. E estamos vendo bem para que mãos ele vai. Ajuda o cacete! Deixa quebrar. Onde já se viu... passar o custo para todas as pessoas respeitáveis que decidiram trabalhar duro para continuarem pobres...
Ei, meninos, vocês acreditam que tem gente que trabalha pra ganhar dinheiro?
Pensei numa trilha sonora para essa crise. Optei por “Everything falls apart” (Tudo desmorona), do Husker Du. Ah, o Husker Du. Punks numa época em que punks eram punks. Depois, zuou tudo. Li no jornal, ontem, que estão comemorando 20 anos de “grunge”, aquela cena musical neo punk da qual Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains e a galera da camisa de flanela fazia parte.
Quem inventou a onda foi uma gravadora de Seattle, a Sub Pop que na época, era como a nova “empresa promissora” do mercado. Todos os grandes jornais musicais (Melody Maker, Vox, Rolling Stone) diziam para investirmos em seus títulos. Na época, eu, como um investidor nanico desavisado, saí comprando todos os discos que a Sub Pop lançava...
Depois, fui vendo que muito do que eu tinha investido viraria pó em breve, que tinham mentido para mim e que tudo não passava de uma farra onde poucos enriqueciam e a maioria tomava na cabeça. Quando fui vender alguns dos títulos pelos quais tinha pago uma fortuna, me deram migalhas. Aí entendi o jogo e abri meu próprio negócio. Sim. Vendi Cd’s por dois anos e gosto de achar que fiz um bom trabalho, impedindo que pessoas boas fossem ludibriadas pela mídia e fizessem maus investimentos, tipo Bon Jovi, Mamonas Assassinas e discos tipo “Acústico MTV”. Parece ridículo hoje, mas eram investimentos muito valorizados na época, sabe...
Anos depois viria a saber da história de como a Sub Pop criou uma cenazinha musical nos cafundó dos EUA e fez o mundo todo acreditar que era a oitava maravilha do universo. Assim no mercado fonográfico, assim no de ações. Boa parte do fonográfico foi pro saco por causa da anarquia da internet. Agora, o outro chacoalha nas bases e em breve veremos o tamanho que realmente tem. E seus atravessadores, que ludibriaram até a mãe, também vão pagar pelos pecados. Há! Queimem.
E a frase para fechar este texto fica por conta do Flavor Flav (cover do Tião Macalé), do Public Enemy; “Don’t Believe the Hype” ( Não acredite no que a Veja, a Exame e o William Bonner te dizem).
Adeus
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Mestre dos Magos para vereador ou: A ida dos que não voltaram
Gente boa, o Milhomens. Seu super poder consiste em conseguir me tirar do sério em menos de 40 segundos. O faz a esmo. É adepto à trinca “Humanas PUC/USP”, “romantismo sulamericano” e “sandálias de couro”.
Ontém, veio me encher os pacová porque o seu time ganhou. Não é de futebol, que falo. Ele conhece o meu calo. Veio me falar sobre os índices de popularidade ionosféricos do Luís Ignácio. Como tinha acordado inspirado, dei-lhe o que merecia...
Você conhece conhece o Mestre dos Magos, né Milhomens?. Cê tem alguma dúvida, que ele ganharia, caso saísse para vereador? Milhomens vestiu expressão séria.
Assim como a do presidente. Nasceu, pobre, veio pro sul maravilha na boléia, virou líder sindical, presidente do PT e depois presidente da República. Teria conseguido sem o devido apoio? Há por aí várias fotos do Luís Ignácio com o FHC e outros figurões da época. O que sugere que essa galera janta junto há muito tempo. Sempre ouvi dizer que Luís Ignácio era cria do Ernesto Geisel (penúltimo presidente da junta militar. Governou de
Hoje, os governos de Lula e Geisel têm vários paralelos. Tipo: fortalecimento da estrutura produtiva nacional, incentivo à exportação e combate às desigualdades sociais e regionais. E o Lula anda por aí dizendo que Geisel foi um grande exemplo de estadista. Se bem que salvo alguns vícios estatizantes, foi mesmo.
Pode parecer teoria da conspiração, esse negócio do Lula ser engenharia do regime militar, mas há duas coisas que a suportam; primeiro: Desde sempre, não importa o lugar, não importa a era, em Democracia, só se entra para o “clube” quando se é convidado. Segundo: Em política, nada nunca é o que parece.
Pois bem... e o Milhomens queria porque queria saber o que raios a popularidade do Lula tinha a ver com a Caverna do Dragão. Simples. Neo liberalismo e falta de concorrência.

Nem o Capitão escapou dos conselhos do Mestre. Veja abaixo:
Fez sucesso numa época onde a maior parte do que era produzido era lixo encomendado por empresas de brinquedo e feito em escala industrial. Os desenhos costumavam ter 65 episódios por temporada, sendo assim, a qualidade da animação, roteiro e concepção era tosca. O fato de ser um pouco mais “arte” do que meramente um “produto” foi o suficiente para fazer Caverna do Dragão se sobressair. Pois a média era muito, muito ruim.
Tudo é grana. Hoje, se o ministro da economia e o Banco Central fazem tudo “direitinho”, o presidente é Deus. Nos EUA é a mesma coisa. Se a economia vai bem, nêgo vira herói e se reelege. O poder de compra é o indicador mais importante. Vide Clinton e Bush. Esse último, diante do “holocausto” do 11 de Setembro, foi à TV e entre alguma expressão de solidariedade e dose pífia de encorajamento, disse com todas as letras que o que o povo tinha que fazer mesmo era comprar. SHOP. Voilà. É a solução para qualquer fim do mundo. E nós, pra variar, abraçamos o modelo.
O Luís Ignácio faz sucesso numa época em que nenhum outro político sabe falar com o povo. Algum partido tem por um acaso um bom orador? A cúpula do PSDB, por exemplo... eles se reúnem em restaurante de boy para escolherem os candidatos e depois apanham nas eleições, enquanto o Luís Ignácio finge que é pobre e leva todas. O cara é bom....
Milhomens, nessa hora, cedeu. Disse que eu tinha certa razão, o que em seu vocabulário quer dizer ; Droga. Tomei de

“Vocês se acham fã? Se liga, meu. Fã é nóis.” (Olha o Hank, que péssimo)
Já ouvi essa lorota antes. A Caverna do Dragão não tem final. 99% dos desenhos americanos da década de 80 não têm. Um último episódio foi escrito e nunca produzido, verdade. Se quiser ver, clique aqui (em inglês). Ou na versão traduzida iutúbi. Parte1 - Parte2 .
E lembrem-se: “A unificada glória no crepúsculo da redenção é a única que poderá contemplar o porvir das criaturas”. Foi o Mestre do Magos quem disse...
Adeus
L
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Obrigado por fumar ou: Seríamos todos macaquitos?
Isso é um trabalho para o super-home... er quer dizer... para o super lobbysta da indústria de tabaco.Agora, quem são “os estudos”? Sempre ouço falar deles e nunca me foram devidamente apresentados, Os estudos. E com que facilidade eles chegam dizendo o que é, o que não é, e o mais cabuloso, como as coisas devem passar a ser.
A primeira emenda americana nunca é desrespeitada. É louvável. Diz-se o que se quer (menos o auto-censurável, lógico). Mas tem efeitos colaterais. O mais hediondo é o de dar o poder da palavra e do veto aos “implicantes classe A”. Tipo Michael Moore, Al Gore e os moradores milionários da ilha da fantasia (leia-se Roliúde). Falam sobre o aquecimento global e afins e destacam-se por suas imagens e por acharem que sabem mais que a comunidade científica. Esse é os EUA que imitamos. Sempre. O ruim, o tosco, o hediondo. Acredite se quiser.
E não podemos esquecer também do “Oitavo Homem”. Animação japonesa da década de 60 que trazia um andróide que lutava contra o mal e que, pra recarregar as energias, tirava um cigarro do bolso e fumava-o. Ah, que tempos. É, fumantes... proibido ou não, a era de ouro do cigarro chegou ao fim.
Abertura do Oitavo Homem. Não se lembra? Tudo bem... esse passa,vai...
Adeus,
Ps. Sou a favor da proibição porque no médio prazo, levariam estabelecimentos a planejar melhor seus espaços. Para mim, melhor que fumar na hora certa, só fumar sob o firmamento.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
USA, nove às seis ou; minha cabeça dói
Lovric, o que você espera da vida?
-Nada, ué. Tô aqui tirando onda enquanto o trem não chega. Vejo a morte como o final dos desenhos da Warner. "That's all folks", sem a musiquinha. Mas espero que no meu enterro toquem. Até lá, farei o que puder onde estiver com o que tiver, ou nas palavras de Voltaire, em Cândido, cultivarei o meu jardim. Hmm. Lógico que se puder contratar um jardineiro, melhor.

Lovric, qual o problema do liberalismo econômico em países em desenvolvimento ser uma piada? Você não adora piadas?
-Sim. Mas só as de bom gosto.
E com relação ao filme novo do Batman? Por que você acha que todo mundo achou tão bom? Mesmo quem não gosta de quadrinhos...
Esse negócio aí, viu ô Leonel, (pior é que me lembro do nome, mas nunca conheci nenhum Leonel na vida) é porque a cultura pop está no auge. As gerações que nasceram a partir da segunda metade da década de 50 foram soterradas por cultura pop. Agora, as vítimas recontam as histórias.
Pô. Não dá pra ser menos enigmático?
Ô se dá. A galera que cresceu consumindo USA das 9 às 6, cresceu e tomou o poder. Está dentro dum sistema em que dinheiro é o que manda, logo, tudo tem que ser lucrativo, mas agora, também tem que ser bem feito. Porque os diretores, produtores, atores, conhecem a obra e não permitiriam o mal uso de algo que respeitam ou amam.
Mas... amar não é um verbo muito forte?
É. Mas é esse o verbo mesmo. Tudo que aprendemos a gostar e a praticar quando muito jovens nos segue por toda a vida. Com religião e desenho animado é assim. Mesmo depois de muito tempo, quando nos ocorre que talvez a Virgem Maria não fosse virgem de fato e que o Salchicha do Scooby Doo fazia uso de substancias ilícitas , pois via fantasmas em todo canto e tinha uma larica insaciável, ainda somos incapazes de encará-los de maneira diferente. E vamos às suas defesas caso alguém lhe ofenda a honra.

Ah, que exagero. Eu discordo.
Pois então como você explica o fenômeno Heavy Metal? Os caras passam rímel, usam calça de couro, têm cabeleiras, brincos, pulseiras e cantam fino, mas se alguém falar que Iron Maiden era um bando de bicha, sai de baixo. Os fãs vão querer enforcá-lo, queimá-lo, espancá-lo e é possível que depois disso, ainda queiram matá-lo. Depois disso, você ainda duvida que o Heavy Metal receba o mesmo tratamento messiânico que os religiosos despendem aos seus cultos? Como pode explicar o regozijo de um monte de marmanjo ao ver nêgo vestido de arauto do demônio com guitarra transformada em machado tocando a mesma música há trinta anos?
Você quer dizer que são como se fossem xiitas do Metal?
Não disse isso. Mas pensando bem, gostaria de ter dito.
E você? Gostou do filme novo do Batman?
- O roteiro é bom. Mas gostei mesmo do Coringa, porque dá um novo peso ao termo vilão. Os gangsteres de Gotham não são muito diferentes de alguns políticos, advogados, publicitários e especuladores, er.. , quis dizer, investidores, que gostam tanto de dinheiro como todos nós, mas que, diferentemente, estão dispostos a passar por cima de tudo e todos. Diferentemente de nós, também, são saudados como heróis em revista e televisão.
-Tá. Mas e tirando o Coringa. Você curtiu?
-Olha... eu acho uma boa idéia colocar o Homem Aranha saltando pra lá e pra cá num filme. Assim como pôr o Super Homem ou o Homem de Ferro voando, ou o Hulk quebrando tudo quando dá pití, porque não vemos isso na vida real. Em termos visuais, Batman não funciona tão bem como esses outros, porque um cara metido numa roupa de morcego parece alguém que vai ao baile brincar. O impacto não é o mesmo.
Gostaria de tê-lo visto de maneira lúdica, capa esvoaçada, se movendo de maneira impossível, numa Gotham City que não se parecesse com Chicago, mas sim, com Gotham City.

-quem critica tem que achar soluções...
-Claro! Bastaria ter filmado tudo em “Neo New Cinema Novo” ®.
-New neo...?
-NEO NEW!!! Eu que cunhei. É uma técnica onde o mundo é recriado digitalmente e os atores são inseridos. Veja esse exemplo.
Nesse momento, fez-se a luz (na parede) e as imagens do trailer do novo filme do Spirit
começaram a tomar vida. Nesse momento também, o sonho começou a se dissipar...
Sabe, agora, em retrospecto, esse foi um dos sonhos mais estranhos que tive. Primeiro porque a caverna se parecia com um bar. Segundo, porque o elixir que bebíamos em copinhos baixos e quadrados nos intoxicavam a ponto de fazer com que as palavras saíssem mais lentamente de nossas bocas.
Hmm. E talvez o filme tenha se dado numa tela menor... me lembro que Leonel comandava a projeção através de uns botõezinhos.
Não sei. Tenho certeza que tudo ficará mais claro depois que essa maldita dor for embora. Ai minha cabeça...






